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Horizontes
Moventes

30.8.22→23.10.22
 

 

Uma mostra de arte no espaço público em resposta ao momento presente, que acontece

de maneira descentralizada nas 27 capitais do Brasil, com 27 artistas, em 27 outdoors.


 

 

M•A•P•A•   

Modos de Ação para Propagar Arte
 

 

2a. edição
 

 

Ana Lira / Antonio Obá / Érica Ferrari / Castiel Vitorino Brasileiro / Carmézia Emiliano / Carmela Gross / Carlos Zilio / Adriana Calcanhotto / Laura Belém / Regina Silveira / Ícaro Lira / Juliana dos Santos / André Dahmer / Virginia de Medeiros / Maré de Matos / Anna Bella Geiger / Ayrson Heráclito / Neide Sá / Rivane Neuenschwander + Mariana Lacerda / Jonathas de Andrade / Gustavo Caboco / Guy Veloso / Carlos Vergara / Yhuri Cruz / Rafa Bqueer / Walter Carvalho / Hudinilson Jr.

 

Idealizado e organizado por VIVA Projects

Curadoria por Patricia Wagner

Ver Outdoors - See Billboards

 

(Ciclo 1)

Ana Lira

Antonio Obá

Érica Ferrari

Castiel Vitorino Brasileiro

Carmézia Emiliano

Carmela Gross

 

 

(Ciclo 2)

Carlos Zilio

Adriana Calcanhotto

Laura Belém

Regina Silveira

Ícaro Lira

Juliana dos Santos

André Dahmer


(Ciclo 3)

Maré de Matos

Virginia de Medeiros

Anna Bella Geiger

Ayrson Heráclito

Neide Sá

Rivane Neuenschwander 

+ Mariana Lacerda

Jonathas de Andrade

(Ciclo 4)

Gustavo Caboco

Guy Veloso

Carlos Vergara

Yhuri Cruz 

Rafa Bqueer

Walter Carvalho

Hudinilson Jr.

 

30.8.2211.9.22

Cuiabá

Salvador

Brasília

Vitória

Curitiba

Rio Branco

 

 

12.9.2225.9.22

Belo Horizonte

Fortaleza

São Luís

Goiânia

Manaus

João Pessoa

Belém

26.9.22→9.10.22

Natal

Porto Alegre

Maceió

Campo Grande

Teresina

Recife

Rio de Janeiro

10.10.2223.10.22

São Paulo

Macapá

Aracajú

Boa Vista

Porto Velho

Florianópolis

Palmas

 

 
 

             Horizontes Moventes

 

Quais as representações, símbolos e alegorias da brasilidade prevaleceram no imaginário coletivo ao longo da história? Qual papel essas representações desempenharam nas disputas políticas do Brasil? Como a cultura pode contribuir para a formação de uma noção de identidade fluida e diversa? Essas são algumas das perguntas que mobilizam a exposição Horizontes Moventes. Em sua segunda edição, o projeto M.A.P.A. apresenta, em 27 outdoors localizados nas 27 capitais do Brasil, obras de artistas atuantes nas mais diversas áreas da cultura numa extensão que transborda as fronteiras geográficas e se desdobra em experiências poéticas singulares concebidas para o espaço público.
 

A inquietação em torno da noção de identidade é um assunto recorrente ao longo da história do Brasil. É o que podemos chamar de um tema clássico para aqueles que se colocaram diante da tarefa de pensar o país. A necessidade de se fazer uma revisão das narrativas que forjaram construções simbólicas da brasilidade a partir de pressupostos compactados e excludentes vem, ao longo dos anos, encontrando eco e interlocução. Uma conquista que inclui versões que ora convergem, ora colidem entre si. Nesse sentido, é importante entender a identidade como uma representação que se expressa não como dado concreto, mas como construção simbólica que se faz em relação a uma multiplicidade de etnias, religiões, gêneros ou classes.
 

Reconhecendo que a arte está inserida nesse complexo e instigante campo de forças, Horizontes Moventes se constitui como uma ação poética que interpela a atualidade do debate, aportando novas questões. Com elas, inclui-se a inscrição de outros horizontes possíveis de representação que possam entrever uma pluralidade de existências, afetos e pulsões, conferindo à noção de identidade sua mais perfeita impermanência.
 

O convite para tomar a cidade como espaço para exercícios imaginativos decorre, portanto, da necessidade de priorizar uma brasilidade afetiva, sonora, lírica e desejosa da possibilidade de compor outras lógicas e relações humanas, por meio de distintas formas de embates e visualidades. Sendo lugar de encontros, de confronto e, principalmente, de diálogos, o espaço público configura-se como campo aberto e fértil para que uma noção de identidade, conjugada no plural, seja enunciada.
 

Ao ocupar o outdoor como suporte para a produção artística, o projeto M.A.P.A pretende subverter a lógica do comércio, da propaganda e do palanque eleitoral - que faz uso frequente dessa mídia – para articular uma outra frequência imagética. E, dessa forma, despertar os sujeitos desprevenidos em suas rotinas na cidade, desconstruindo uma percepção utilitarista do espaço público ao convertê-lo involuntariamente em observador. A promoção de formas inusitadas de linguagem procura ressignificar o cotidiano, fazendo da rua um espaço de ação e resistência.

             Patricia Wagner

            Agosto/2022

             Moving Horizons

             27 X 27 X 27

Which representations, symbols and allegories of Brazilianness have prevailed throughout history in the collective imagination? What role did these representations play in the Brazilian political conflicts? How can culture contribute to the formation of a fluid and diverse notion of identity? These are some of the questions that propel the exhibition Moving Horizons. In its second edition, the M.A.P.A. Project displays, in 27 billboards located in the 27 capitals of Brazil, works by active artists in the most diverse areas of culture – in an extension that goes beyond geographic boundaries and unfolds in unique poetic experiences created especially for the public space.

 

The concern around the notion of identity is a recurring subject throughout history in Brazil. It is a so-called classic theme for those who have faced the task of thinking about this country. The need to review the narratives that forged symbolic constructions of Brazilianness from compacted and discriminatory assumptions has, over the years, echoed and found dialogue – an achievement including versions that sometimes converge, sometimes shock against each other. In this sense, it is important to understand identity as a representation that is expressed not as concrete data, but as a symbolic construction built in relation to a diversity of ethnicities, religions, genders or classes.

 

Recognizing that art is inside this complex and rousing force field, Moving Horizons is conceived as a poetic action that inquires into the topicality of this debate, bringing new questions. Along with them, there is the inscription of other possible horizons of representation that can glimpse multiple existences, affections and drives, giving the notion of identity its most perfect impermanence.

 

The invitation to have the city as a space for imaginative exercises stems, therefore, from the need to prioritize an affective, resonant, lyrical Brazilianness, desirous of the possibility to compose other human relationships and logics, through different forms of confrontations and visualities. As a place of gathering, confronting and, mainly, dialoguing, the public space is set as an open and fertile field for a notion of identity, in its plural form, to be enunciated.

 

By using a billboard as a support for this artistic production, the M.A.P.A Project intends to destabilize its logic of commerce, advertising and electoral platform – which frequently uses this media – to articulate another imagery frequency. And, thus, it may awaken the unready subjects in their routines in the city, deconstructing the utilitarian perception of public space by involuntarily converting them into observers. The promotion of unusual forms of expression seeks to re-signify everyday life, turning the street into a space for action and resistance.

             Patricia Wagner

             August/2022

             M•A•P•A•

Um dos impulsionadores para a criação da VIVA Projects, foi uma vontade nossa de criar meios de acesso a arte. Parte de nossos projetos foram pensados para inserir a arte em objetos cotidianos, estimulando diálogos e novos conteúdos culturais, tornando possível que ela penetre a vida das pessoas de maneiras diferentes. 

 

Porém em 2019 sentimos necessidade de extrapolar o ambiente doméstico no qual estes objetos eram inseridos e pensá-los para uma escala pública. Iniciamos um projeto de arte para o espaço público ao final do ano passado, o qual, como muitos outros projetos, foi paralisado devido a pandemia que nos acometeu. 

 

No entanto, pensar arte para o espaço público não poderia ser mais urgente e adequado ao momento. Pensar na ‘continuidade entre a forma erudita de arte e os eventos diários, ações e sofrimentos que são universalmente reconhecidos para constituir experiência’*, conforme descreveu o filósofo John Dewey em seu Arte como Experiência.

 

Muitas questões acerca das nossas responsabilidades civis são discutidas por meio da arte, mas muitas vezes em ambientes de acesso restrito, seja por questões geográficas, alcance intelectual ou poderio econômico. No espaço público a comunicação entre artista e espectador se dá de maneira mais livre e menos hierárquica.

 

Acreditamos que a arte seja um bem essencial para a humanidade, assim como a forma mais eficaz de comunicação. Em um momento em que a pandemia se alastra pelo Brasil, tirando milhares de vidas e evidenciando as disparidades sociais, nos pareceu urgente que artistas respondessem a este momento. 

 

O outdoor como suporte para arte já foi usado por artistas como Felix González-Torres, Paulo Bruscky, Alfredo Jaar, assim como Hank Willis Thomas, em seu recente projeto For Freedoms, o qual serviu de grande inspiração para nós. Esta carga histórica dentro da arte, assim como a possibilidade de subverter o uso do espaço de publicidade, na maioria das vezes usados por grandes corporações, partidos políticos e governo; nos pareceu oportuno e necessário.

 

Também era eminente a nós que em um momento de grande polarização e distopia no país, o projeto tivesse um alcance nacional, tanto por meio da instalação dos outdoors em todas as capitais, como por meio da escolha dos artistas. 

 

Nesta primeira edição de M.A.P.A. – Modos de Ação para Propagar Arte- iremos reivindicar o uso do espaço de propaganda para o que ele de fato deveria existir, propagar (e não manipular) mensagens cívicas, políticas e poéticas.

*Dewey, John, Art as Experience, 1934, ed. Perigee

             VIVA Projects (Camilla Barella e Cecilia Tanure)

             M•A•P•A•

One of the urges for the creation of Viva Projects was our desire to create means of access to art. Part of our projects were designed to insert art into everyday objects, stimulating dialogues and new cultural content, making possible for it to penetrate people's lives in different ways.

 

However, in 2019 we felt the need to extrapolate the domestic environment in which these objects were inserted and think about them on a public scale. We started an art project for the public space at the end of last year, which, like many other projects, was paralyzed due to the pandemic that affected all the world.

 

Thinking of art for the public space could not be more urgent and appropriate for the moment. The think of 'continuity between the erudite art form and the daily events, actions and sufferings that are universally recognized to constitute experience’, as the philosopher John Dewey described in his Arte as experience.

 

Many questions about our civil responsibilities are discussed through art, but often in environments with restricted access, whether due to geographical issues, intellectual reach or economic power.

 

In the public space, communication between artist and spectator takes place more freely and less hierarchically.

 

We believe that art is an essential asset for humanity, as well as ‘the best form of communication’ *. And at a time when the pandemic is spreading throughout Brazil, taking thousands of lives and evidencing social disparities, it seemed urgent for artists to respond to this moment.

 

The billboard as a support for art has already been used by artists like Felix Gonzalez Torres, Paulo Bruscky,  Alfredo Jaar, as well as Hank Willis Thomas, in his recent project For Freedoms, which served as a great inspiration for us. This historical burden within art, as well as the possibility of subverting the use of advertising space, most often used by large corporations, political parties and the government; all these seemed opportune and necessary.

 

It was also eminent to us that in a moment of great polarization and dystopia in the country, the project would had a national reach, both through the installation of billboards (in all capitals), and through the choice of artists.

 

In this first edition of M.A.P.A. - Modos de Ação para Propagar Arte - we will claim the use of advertising space for what it really should exist, propagate (and not manipulate) civic and political messages.

*Dewey, John, Art as Experience, 1934, ed. Perigee.

             VIVA Projects (Camilla Barella e Cecilia Tanure)