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No Calor da Hora

31.08→25.10


 

 

Uma mostra de arte no espaço público em resposta ao momento presente, que acontece de maneira descentralizada nas 27 capitais do Brasil, com 27 artistas, em 27 outdoors.


 

 

M•A•P•A•  

Modos de Ação para Propagar Arte


 

 

Idealizado e organizado por VIVA Projects

Curadoria por Patricia Wagner

 

Ver Outdoors - See Billboards

 

Tomando a arte em seu potencial de colidir com a realidade e de ampliar o campo de pensamento, 27 artistas cujas poéticas derivam de múltiplos percursos, foram convidados a ocupar 27 espaços de outdoors em todas as capitais* do Brasil. Os trabalhos problematizam as questões do presente, em uma reflexão acerca da realidade social e política à luz da pandemia. 

 

*devido a proibição da exibição de outdoor em SP, excepcionalmente a mostra ocorrerá em Osasco,

outra grande cidade do Estado.

 

M.A.P.A. (MODES OF ACTION TO PROPAGATE ART)

In the Heat of the Moment

 

An exhibition in the public space in response to the present moment, which takes place in a decentralized manner in the 27 capitals of Brazil, with 27 artists, on 27 billboards.

Conceived and organized by VIVA Projects / Curated by Patricia Wagner.

Taking art in its potential to collide with reality and to broaden the field of thought, 27 artists were chosen, whose work derive from multiple routes, to occupy 27 billboards spaces in all27 Brazilian capitals*.  The works problematize issues of the present, in a reflection on the social and political reality in the light of the pandemic.

 

* due to the ban on the display of billboards in the city of São Paulo, the billboard will be in Osasco,

another major city in the state.
 

 

 
 

             No Calor da Hora

 

O que é pensar e agir “no calor da hora”? Quais as condições para se enxergar além da névoa que encobre as verdades contingentes? O que significa tomar partido em meio as turbulências que nos assolam no presente e das quais não podemos desviar? Ou ainda, projetando essas questões para o campo da reflexão estética, qual é a posição de uma obra de arte não apenas “perante as relações de produção da época, mas qual é a sua posição dentro dela?” *   Questão colocada por Walter Benjamin em O autor como produtor, em 1934, numa conferência para o Instituto para o Estudo do Fascismo (Paris) como uma reflexão sobre a tomada de posição dos intelectuais franceses frente à imaginação política e especificamente relacionada à ascensão do nazismo. 

No centro de uma pandemia que acirra as piores mazelas de nossa condição social e de nossa possibilidade de conviver coletivamente em princípios de igualdade, invocamos Walter Benjamin. Pretendemos com isso provocar reflexão acerca do fluxo dos acontecimentos devastadores dos últimos meses e o papel da arte em meio a esse caos social e político. Apostar na arte como potência capaz de traduzir o dilema atual pretende afirmar a imagem como um traçado visual no tempo e no espaço. Interação que se dá no presente e avança em camadas sucessivas de transmissão, toca a realidade, ou como dizia Rilke, “arde” em contato com o real. 

Como mecanismo de ação premente, No Calor da Hora reúne artistas que atuam nas mais diversas plataformas, adotando em suas práticas os mais variados suportes, a ocupar individualmente espaços de outdoor em 27 cidades, em todas as capitais do Brasil. Uma mostra que desafia os limites do que se pode chamar de exposição, e aspira, na vastidão de suas proporções, atingir uma dimensão poética para constituir um imaginário de representações e indagações frente às questões abrasadoras do presente. 

No domínio das relações entre o conceito que propomos e seus antecedentes históricos da arte brasileira, é impossível pensar essa mostra sem evocar a lembrança das produções que se colocaram em embate direto com o público, muitas vezes na ausência de instituições capazes de enquadrá-las em suas coleções. Por isso, a mostra se apresenta na esteira dessas variadas práticas, impossíveis de nomear individualmente, mas que incluem as intervenções urbanas do grupo 3Nós3 nos anos 70 e 80, a exposição Artdoor de Paulo Bruscky e os acontecimentos poéticos urbanos de Hélio Oiticica que o levaram a proclamar que “o museu é o mundo”. 

Partindo das urgências do presente, No Calor da Hora aporta novas dinâmicas para o uso do outdoor. Nas diversas paisagens urbanas que oscilam entre o vazio e uma multidão que se aglomera de modo insensato, para promover o debate e adicionar novas reflexões ao espaço heterogêneo e tensionado da rua. Considerando as restrições de circulação em equipamentos culturais e a impossibilidade de se manifestar coletivamente em decorrência da pandemia, o outdoor, em sua natureza analógica, se apresenta como uma estrutura instigante, capaz de frustrar o excesso de virtualidade que se tornou o paradigma dominante de acesso à cultura no espaço público. 

Ocupando um lugar usual e nada neutro da publicidade, a proposta abre-se às contradições inerentes ao meio, incorporando a alta voltagem de sua frequência. De certo, o caráter marginal e profano do outdoor como suporte artístico, permite o embate com um público pouco familiarizado com exposições de arte, comprometendo-o pela própria dinâmica da vida cotidiana. E nesse sentido, confronta- se com uma situação de total heterogeneidade de interesses, hábitos e possibilidades. E mais do que ser configurada em acordo com a ideia de um ambiente democrático, entendimento universal e frequente relacionado ao domínio da rua, a aposta reafirma a diferença, os desejos e as crenças para promover a força que a arte tem de colidir, resistir e ampliar o campo de pensamento. E assim responder No Calor da Hora, ao que não pode mais esperar.

 

* Walter Benjamin – O autor como produtor, em Estética e Sociologia da Arte, ed. Autêntica p.79.

Conferência elaborada para o “Instituto para o Estudo do Fascismo”. 

             Patricia Wagner

             In the Heat of the Moment

What does it mean to think and act “in the heat of the moment”? What are the conditions required to see beyond the fog that hides contingent truths? What does it mean to take sides in the midst of the turmoil that currently strikes us and we cannot escape? Or still, projecting these questions into the field of aesthetic reflection, what is the attitude of a work of art, not only “to the relations of production of its time, but what is its attitude in them?” * Question asked by Walter Benjamin in The Author as Producer in 1934 at an address at the Institute for the Study of Fascism (Paris) to reflect on the position of French intellectuals in the face of political imagination and specifically related to the rise of Nazism. 

At the center of a pandemic that worsens the vilest ills of our social condition and our possibility to live together on principles of equality, we invoke Walter Benjamin to help us reflect about the flow of devastating events of the last few months and the role of art in this social and political chaos. To rely on art as a force that may translate the current dilemma means to affirm the picture as a visual outline in time and space, i.e., an interaction that takes place in the present, progresses in successive layers of transmission and touches reality or, as Rilke said, “burns” in contact with the real. 

As a compelling action mechanism, In the Heat of the Moment gathers artists who work on the most diverse platforms and have adopted the most varied supports in their practice to occupy billboard spaces individually in 27 cities, in all capitals of Brazil. This exhibition challenges the limits of what may be called an exhibition and aspires, in its sheer size, to achieve a poetic dimension and thus to constitute an imaginary of representations and inquiries in the face of the scorching issues of the present. 

Regarding the relations between the concept we propose and its background in Brazilian art, to reflect on this exhibition inevitably requires recalling productions that clashed directly with the public, often in the absence of institutions capable of integrating them in their collections. Thus, the exhibition presents itself in the wake of these varied practices that cannot be named individually, but which include the urban interventions of the group 3Nós3 in the 70s and 80s, the Artdoor exhibition by Paulo Bruscky and the urban poetic events by Hélio Oiticica that led him to proclaim: “the museum is the world”. 

Based on the current urgencies, The Heat of the Moment provides new actions in using billboards in the various urban landscapes that range from emptiness to a crowd that is unreasonably crowded, thus promoting a debate and adding 

new reflections to the heterogeneous and tensioned space of the street. Considering the circulation restrictions in cultural spaces and the ban on group manifestations due to the pandemic, the billboard, in its analogical nature, presents itself as an instigating structure that may cut down the excess of virtuality that has become the dominant paradigm of access to culture in the public space. 

Occupying a usual and far from neutral space in advertising, the proposal opens to the contradictions inherent in that medium and embodies the high voltage of its frequency. The marginal and profane character of the billboard as an artistic support will certainly clash with a public unfamiliar with art exhibitions, compromising it by the driving force of everyday life. In this sense, it is faced with a situation of total heterogeneity of interests, habits and possibilities. And, in addition to being configured according to the idea of a democratic environment, a universal and frequent understanding related to the realm of the street, this project highlights the difference, desires and beliefs to promote the power of art to collide, resist and expand the field of thought and thus to respond In the Heat of the Moment to what can no longer wait.

* Walter Benjamin – The Author as Producer, in Estética e Sociologia da Arte [Aesthetics and Sociology of Art], ed. Autêntica p. 79. Address given at the “Institute for the Study of Fascism”. 

             Patricia Wagner

             M•A•P•A•

Um dos impulsionadores para a criação da VIVA Projects, foi uma vontade nossa de criar meios de acesso a arte. Parte de nossos projetos foram pensados para inserir a arte em objetos cotidianos, estimulando diálogos e novos conteúdos culturais, tornando possível que ela penetre a vida das pessoas de maneiras diferentes. 

 

Porém em 2019 sentimos necessidade de extrapolar o ambiente doméstico no qual estes objetos eram inseridos e pensá-los para uma escala pública. Iniciamos um projeto de arte para o espaço público ao final do ano passado, o qual, como muitos outros projetos, foi paralisado devido a pandemia que nos acometeu. 

 

No entanto, pensar arte para o espaço público não poderia ser mais urgente e adequado ao momento. Pensar na ‘continuidade entre a forma erudita de arte e os eventos diários, ações e sofrimentos que são universalmente reconhecidos para constituir experiência’*, conforme descreveu o filósofo John Dewey em seu Arte como Experiência.

 

Muitas questões acerca das nossas responsabilidades civis são discutidas por meio da arte, mas muitas vezes em ambientes de acesso restrito, seja por questões geográficas, alcance intelectual ou poderio econômico. No espaço público a comunicação entre artista e espectador se dá de maneira mais livre e menos hierárquica.

 

Acreditamos que a arte seja um bem essencial para a humanidade, assim como a forma mais eficaz de comunicação. Em um momento em que a pandemia se alastra pelo Brasil, tirando milhares de vidas e evidenciando as disparidades sociais, nos pareceu urgente que artistas respondessem a este momento. 

 

O outdoor como suporte para arte já foi usado por artistas como Felix González-Torres, Paulo Bruscky, Alfredo Jaar, assim como Hank Willis Thomas, em seu recente projeto For Freedoms, o qual serviu de grande inspiração para nós. Esta carga histórica dentro da arte, assim como a possibilidade de subverter o uso do espaço de publicidade, na maioria das vezes usados por grandes corporações, partidos políticos e governo; nos pareceu oportuno e necessário.

 

Também era eminente a nós que em um momento de grande polarização e distopia no país, o projeto tivesse um alcance nacional, tanto por meio da instalação dos outdoors em todas as capitais, como por meio da escolha dos artistas. 

 

Nesta primeira edição de M.A.P.A. – Modos de Ação para Propagar Arte- iremos reivindicar o uso do espaço de propaganda para o que ele de fato deveria existir, propagar (e não manipular) mensagens cívicas, políticas e poéticas.

*Dewey, John, Art as Experience, 1934, ed. Perigee

             VIVA Projects (Camilla Barella e Cecilia Tanure)

             M•A•P•A•

One of the urges for the creation of Viva Projects was our desire to create means of access to art. Part of our projects were designed to insert art into everyday objects, stimulating dialogues and new cultural content, making possible for it to penetrate people's lives in different ways.

 

However, in 2019 we felt the need to extrapolate the domestic environment in which these objects were inserted and think about them on a public scale. We started an art project for the public space at the end of last year, which, like many other projects, was paralyzed due to the pandemic that affected all the world.

 

Thinking of art for the public space could not be more urgent and appropriate for the moment. The think of 'continuity between the erudite art form and the daily events, actions and sufferings that are universally recognized to constitute experience’, as the philosopher John Dewey described in his Arte as experience.

 

Many questions about our civil responsibilities are discussed through art, but often in environments with restricted access, whether due to geographical issues, intellectual reach or economic power.

 

In the public space, communication between artist and spectator takes place more freely and less hierarchically.

 

We believe that art is an essential asset for humanity, as well as ‘the best form of communication’ *. And at a time when the pandemic is spreading throughout Brazil, taking thousands of lives and evidencing social disparities, it seemed urgent for artists to respond to this moment.

 

The billboard as a support for art has already been used by artists like Felix Gonzalez Torres, Paulo Bruscky,  Alfredo Jaar, as well as Hank Willis Thomas, in his recent project For Freedoms, which served as a great inspiration for us. This historical burden within art, as well as the possibility of subverting the use of advertising space, most often used by large corporations, political parties and the government; all these seemed opportune and necessary.

 

It was also eminent to us that in a moment of great polarization and dystopia in the country, the project would had a national reach, both through the installation of billboards (in all capitals), and through the choice of artists.

 

In this first edition of M.A.P.A. - Modos de Ação para Propagar Arte - we will claim the use of advertising space for what it really should exist, propagate (and not manipulate) civic and political messages.

*Dewey, John, Art as Experience, 1934, ed. Perigee.

             VIVA Projects (Camilla Barella e Cecilia Tanure)

 

Agradecimentos

Thanks

Aline Motta

André Komatsu

Anna Costa e Silva

Anna Maria Maiolino

Arnaldo Antunes

Augusto de Campos

avaf

Bárbara Wagner &

Benjamin de Burca

Dalton Paula

Denilson Baniwa

Éder Oliveira

Gê Viana

João Pinheiro

Karim Aïnouz

Lenora de Barros

Mabe Bethônico

Mauro Restiffe

Paulo Bruscky

Paulo Nazareth

Ricardo Basbaum

Romy Pocztaruk

Santidio Pereira

Sonia Gomes

Traplev

Thiago Honório

Vera Chaves Barcellos

Vitor Cesar

Apoiadores

Walter Appel

Instituto Inclusartz

Ulysses de Santi &

  Graham Steele

Guilherme Simões de Assis

Fany Hara Shayo

Georgiana Rothier &                  Bernardo Faria

Fernando Marques

  de Oliveira

Jonathan Franklin &

  Sol Camacho

Antonia e Gabriel Borges

Fabiana e Daniel Sonder

Ana Varella

Ana Lopes & Marcelo Lopes

Jeff & Lucila Hoberman

Felipe Dmab

Monica Hollander

Denise Terpins 

Ticiana Terpins

E aqueles que preferem permanecer anônimos /

And those who prefer to remain anonymous

 

 

Assistência de produção

Production assistant

Priscila Casale

Laís Minori

 

Design gráfico

Graphic design

Raul Luna 

 

Divulgação

Press

Bia Moreira

Julia Sardelli

Coordenação fotografia

Photography coordination

Filipe Redondo

 

Produçao Outdoors

Billboard Production

Contato Brasil

Francisco Xavier "Chico Preto"

CP+B

Assessoria Financeira

Bookkeeper

Andrea Soares