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Antonio Obá

Salvador

 

Ceilândia (DF), 1983, vive e trabalha em Brasília

Oxé, 2022

Localização: Curva Av. Centenário / Calabar - Salvador

"A composição fecha a seguinte narrativa: são duas mãos empunhando plantas; Uma, empunhando uma espada de São Jorge, que já faz uma reverência e uma referência, a tradição afro-brasileira. A espada de São Jorge é uma das plantas de poder e de proteção e figura também essa ideia de ser uma espada de fato, que é um objeto de ataque e um objeto de defesa.

A outra mão segura uma flor de Sândalo, que faz uma breve referência aquela ideia já tão falada do Machado e do Sândalo, um Machado que corta o Sândalo e passa a ficar empregando com o perfume do mesmo. 

E fecha também a própria ideia da postura do guerreiro, que ao mesmo tempo que tem o poder e a decisão de matar e de condenar, de submeter ao julgo, ele carrega na outra mão a flor que é o elemento de misericórdia.

Em resumo é colocar essa ética do guerreiro, convidando a luta, mas nunca esquecendo também essa possibilidade de misericórdia. E quando se fala da situação do Machado cortando o Sândalo, a obra faz uma referência ao Candomblé, e acrescenta o Machado de Xangô também. 

O Machado de Xangô tem essa característica, é um objeto simétrico, ele corta pelos dois lados, a justiça que é capaz de subjugar os dois lados sem fazer concessões a um lado ou ao outro. Ela é imparcial nesse sentido.

Então de certa maneira, convocaria a uma postura de luta, uma postura de justiça, sobretudo nesse momento e nesse contexto atual, e a frase contemplando tudo isso. Em que as lutas justas são santificadas, por assim dizer." 

 

"The composition closes the following narrative: there are two hands wielding plants: one wields a plant known as Saint George’s sword, which already makes a reference and a reverence to the Afro-Brazilian tradition. This is one of the plants of power and protection, and it shapes this idea of ​​being a real sword, which is an object of attack and an object of defense.

The other hand holds a sandalwood flower, which makes a brief reference to that famous story of ​​the Ax and the Sandalwood: an ax that cuts the sandalwood and starts having its perfume.

It also features the very idea in ​​the behavior of the warrior who, at the same time, has the power and the decision to sentence and kill, to submit to judgment as he carries in his other hand the flower that is the element of mercy.

In short, this is this ethic of the warrior, inviting to the fight, although never forgetting this possibility of mercy. Besides, as this work refers to the situation of the Ax cutting the Sandalwood, it also makes a reference to Candomblé religion, and adds the Ax of Xangô as well.

The Ax of Xangô is characterized as a symmetrical object: it cuts on both sides: the justice that is able to subjugate both sides without making concessions to one or the other. It is impartial in this sense.

Therefore, in a way, it would call for a posture of struggle, a posture of justice, especially at this moment and in this current context, and the sentence envisioning all this. Where fair fights are sanctified, so to speak.”

Antonio Obá investiga as relações de influência e contradições dentro da construção cultural do Brasil, dando margem a um ato de resistência e reflexão sobre a ideia de uma identidade nacional. O artista tensiona, por meio de ícones presentes na cultura brasileira, uma memória identitária racial e política, esses conjuntos icônicos históricos, e por vezes religiosos, são explorados dentro da escultura, pintura, instalações e performance.


O corpo do artista é o meio corrente de seu trabalho, cambiando entre performance e momentos ritualísticos, questões como a erotização do corpo negro masculino e a construção identitária do mesmo são pontos centrais na pesquisa de Obá. Com a vivência e concepções contemporâneas do artista a respeito da fé, sua pesquisa estabelece uma teia de sentidos que conecta a nossa atualidade com tempos apagados pela história.

Antonio Obá (Ceilândia, 1983) vive e trabalha em Brasília."

 

Antonio Obá investigates the influence relations and the contradictions within the cultural construction of Brazil, which give rise to an act of resistance and reflection on the idea of ​​a national identity. This artist stresses, through icons from Brazilian culture, a racial and political identity memory; these iconic historical – and sometimes religious – ensembles are explored within sculpture, painting, installation and performance art.

The artist's body is the current medium of his work, shifting between performance and ritualistic moments, issues such as the eroticization of the black male body and its identity construction are main concerns in Obá's research. With the artist's experience and contemporary conceptions about faith, his research establishes a web of meanings that connects our present time with times erased by history.

Antonio Obá (Ceilândia, 1983) lives and works in Brasília.