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Sônia Gomes

 

_To the Kooning_,2018. Projeto especial para M.A.P.A. mostra No Calor da Hora300 x 900 cm

Av. Pref. Osmar Cunha, 155 – Florianópolis – SC. Fotografia: Felipe Carneiro. 

 

Na obra de Sonia Gomes as torções são como reconfigurações de sentidos. Partindo de um fio de arame, a artista incorpora diversos elementos em uma movimentação corporal performada em torno do elemento estruturante.  Reduzindo os objetos ao seu estado matérico original a artista ressignifica a sua existência no mundo, dando a ele uma nova vida. Por isso, uma camisola volta a ser tecido e um livro volta a ser papel sem com isso perder o sopro de vitalidade que um dia passou por aquela roupa nem o teor fabuloso da escrita impressa no papel. Figurando a memória como parte ativa de sua obra, esses novos corpos abrigam no trabalho histórias pessoais e coletivas. Para No Calor da Hora Sônia apresenta um fragmento de imagem de uma de suas torções acompanhada das palavras da poeta estadunidense Maya Angelou que como ela venceu as amarras do preconceito racial para se afirmar como uma das vozes mais influentes da cultura afroamericana.

 

A artista visual mineira, Sonia Gomes (Caetanópolis - MG, 1948) trabalha com a produção de esculturas e instalações concebidas a partir de materiais artesanais de histórias distintas – como roupas e mobiliário – formando corpos que vivificam novos sentidos. As obras, de grande rigor estético, se edificam em bordados e torções que ganham carácter escultural, compondo memórias ligadas a questões de identidade racial e a conexão afetiva com sua ancestralidade. A trajetória de Sonia Gomes conta com importantes exposições institucionais, como no MASP em 2019 e no MAC de Niterói em 2017. Seus trabalhos também fizeram parte de mostras coletivas institucionais como 56ª Bienal de Veneza, Entangled no Turner Contemporary do Reino Unido, Revival no The National Museum of Women in the Arts de Washington, e no Museum of Modern Art Aalborg da Dinamarca. Vive e trabalha em São Paulo.

 

Within Sonia Gomes’ ouevre, the  torsions are like reconfigurations of meanings. Starting with a wire, the artist incorporates several elements of a bodily movements performed around the structuring element. Reducing objects to their original material state, the artist resignifies her existence in the world, giving them a new life. With this, a nightgown becomes thread again and a book becomes paper without losing the breath of vitality that one day went through it as na outfit or the  act of writing on paper. Having memory as an active part of her work, these new bodies harbor personal and collective stories. For No Calor da Hora, Gomes presents a fragment of an image of one of her torsions accompanied by the words of the American poet Maya Angelou who overcame the bonds of racial prejudice to assert herself as one of the most influential voices in African American culture.

 

Sonia Gomes (Caetanópolis - MG, 1948) works with the production of sculptures and installations conceived from handmade materials from different sources - such as clothes and furniture – creating forms that vivify new senses. The works, of great aesthetic rigor, are built on embroidery and torsions that take on a sculptural character, composing memories linked to issues of racial identity and the affective connection with their ancestry. Gomes' trajectory has important institutional exhibitions, such as at MASP in 2019 and at MAC in Niterói in 2017. Her works were also part of institutional group shows such as the 56th Venice Biennale, Entangled at the UK's Turner Contemporary, Revival at The National Museum of Women in the Arts in Washington, and the Museum of Modern Art Aalborg in Denmark. Gomes lives and works in São Paulo.