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João Pinheiro

 

Madona do Gueto, 2020. Projeto especial para M.A.P.A. mostra No Calor da Hora. 300 x 900 cm. Av. Pres. Ernesto Geisel, 4391-4265 – Esquina com a Rua Brilhante - Amambai, Campo Grande – MS. Fotografia: Henrique Kawaminami.

 

João Pinheiro é um artista etnógrafo, da tradição de Eduardo Coutinho e do Dan Graham, entre tantos outros. A diferença, com relação a esses artistas, é que Pinheiro usa a cultura em que nasceu e está inserido e integrado, para falar dela aos outros, ao invés da soberba etnográfica que coleta e isola observações, para o escrutínio da Razão Ocidental.

 

Dessa razão iluminista de última hora, Pinheiro recolhe o conhecimento necessário para a auto-afirmação e independência de sua comunidade e dos seus, para a liberdade de seus pares e a demolição das ferramentas de dominação.

Essa inversão, de observador isento da comunidade, para observador interessado das ferramentas intelectuais capazes de libertar seu povo do jugo do opressor, podem tornar muitas vezes o trabalho de Pinheiro algo árduo e inóspito, com poucas possibilidades para a fruição hedonista. Mas, como todo grande artista, essa secura e intelectualismo da obra de Pinheiro é uma opção, resultado de sua visão de mundo. Se não gostou, que passeie pelas paragens edulcoradas da ideologia burguesa. Você não faz falta.

 - Rafael Campos Rocha

 

João Pinheiro (São Paulo, 1981) é artista visual, roteirista e ilustrador. Autor de histórias em quadrinhos, mantém uma relação estreita com a literatura e o cinema. É autor de Carolina (Veneta, 2016) junto com Sirlene Barbosa, indicado ao prêmio Jabuti e ganhador do prêmio ecumênico do Festival de Quadrinhos de Angoulême 2019, na França. Em parceria com o escritor Jeosafá Fernandes Gonçalves, lançou as HQs: O espelho de Machado de Assis e A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour. Vive e trabalha em São Paulo.

João Pinheiro is an ethnographer, from the tradition of Eduardo Coutinho and Dan Graham, among many others. The difference, in relation to these artists, is that Pinheiro uses the culture in which he was born and is inserted and integrated, to speak of it to others, instead of the superb ethnographic that collects and isolates observations, for the scrutiny of Western Reason.

 

From this last-minute Enlightenment thought, Pinheiro gathers the knowledge necessary for the self-assertion and independence of his community and his, for the freedom of his peers and the demolition of the tools of domination.

This inversion, from an exempt observer from the community, to an interested observer of the intellectual tools capable of freeing his people from the authority of the oppressor, can often make Pinheiro's work hard and inhospitable, with few possibilities for hedonistic enjoyment. But, like any great artist, this dryness and intellectualism of Pinheiro's work is an option, the result of his worldview. If you didn't like it, let him stroll through the sweetened spots of bourgeois ideology. You won’t be missed.

-Rafael Campos Rocha

 

João Pinheiro (São Paulo, 1981) is a visual artist, screenwriter and illustrator. Author of comic books, he maintains a close relationship with literature and cinema. He is the author of “Carolina” (Veneta, 2016) together with Sirlene Barbosa, nominated for the Jabuti award and winner of the ecumenical prize at the 2019 Angoulême Comics Festival, in France. In partnership with the writer Jeosafá Fernandes Gonçalves, he launched the comic books: “The mirror of Machado de Assis” and “The legend of the beautiful Pecopin and the beautiful Bauldour”.  Pinheiro lives and works in São Paulo.