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Augusto de Campos

 

“VIVA VAIA foi criado em 1972. Eu voltava dos Estados Unidos, de Austin, Texas, em cuja Universidade fora lecionar como professor convidado, e, passando pelo México, fiquei impressionado com as pirâmides de Teotihuacán. Aqui chegando, ocorreu-me a construção de um poema com letras triangulares, em grandes dimensões, associando ao texto a lembrança do confronto de Caetano Veloso com as vaias que recebeu no Festival do TUCA, Teatro da PUC-SP, em 1968. O poema foi estampado pela primeira vez na revista Navilouca, único número, divulgada em 1974, com o titulo MONUMENTO À VAIA e uma foto de Caetano, segurando uma versão-cartaz da obra. Ele regressara, em 1972, do exílio forçado pela ditadura militar, e eu pretendia homenageá-lo, bem como a todos os poetas e artistas hostilizados pela incompreensão e pela violência. Posteriormente, o poema teve numerosas publicações, em vários formatos. Neste momento, invertendo as setas do seu duplo sentido, penso nele como uma VAIA ao atual governo, um dos piores, se não o pior que já tivemos, em termos de grosseria, atraso e conservadorismo.”

“VIVA VAIA was created in 1972. I was returning from Austin, Texas, at whose local university I had been teaching as a visiting professor, and passing through Mexico, I was impressed by the pyramids of Teotihuacán. Arriving in Brazil, the construction of a poem with large triangular letters occurred to me, associated with the memories of the confrontation of Caetano Veloso with the boos he received at the TUCA Festival - at PUC-SP theatre, in 1968. The poem was first printed in the Navilouca magazine's, a single number, released in 1974, with the title MONUMENTO À VAIA and a photo of Caetano, holding a poster version of the work. I intended to honor Caetano, who in 1972 returned from exile, as well as all poets and artists harassed by incomprehension and violence. Subsequently, the poem had numerous publications, in various formats. At this moment, inverting the arrows of its double direction, I think of it as a hoot (boo) to the current government, one of the worst, if not the worst we have ever had, in terms of rudeness, backwardness, and conservatism.”

- Augusto de Campos

Augusto de Campos (São Paulo, 1931) é poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Seu primeiro livro de poemas é O Rei Menos o Reino, foi publicado em 1951. Ao lado do irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari lançou a revista Noigandres, origem do grupo de mesmo nome que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil. Suas obras estão reunidas em Viva Vaia, 1979, Despoesia, 1994 e Não, 2003; além de Poemóbiles, 1974 e Caixa Preta, 1975, coleções de poemas-objetos em colaboração com o artista plástico Julio Plaza. Como tradutor de poesia, Augusto recriou a obra de autores de vanguarda como Ezra Pound, James Joyce, Gertrude Stein e Maiakóvski.

 

Augusto de Campos (São Paulo, 1931) is a poet, translator, essayist, literature and music critic.  His first book of poems O Rei Menos o Reino, published in 1951. Along with his brother Haroldo de Campos and Décio Pignatari he launched the magazine Noigandres, originating the homonimous group that started the international movement of Concrete Poetry in Brazil. Most of his poems are gathered in Viva Vaia, 1979, Despoesia, 1994 and Não, 2003. Other important works are Poemóbiles, 1974 and Caixa Preta, 1975, collections of object-poems in collaboration with the artist and designer Julio Plaza. As a translator, Augusto interpreted the work of avant-garde authors such as Ezra Pound, James Joyce, Gertrude Stein and Maiakóvski.

 

Viva Vaia, 1974. Obra histórica adaptada pelo artista para o projeto M.A.P.A. na mostra No Calor da Hora. Curva do Saldanha, Vitória - ES, 29017-020. Fotografias: Gustavo Louzada.